Imagem capa - Diluir-me por Fabio Barella

Diluir-me

No silêncio do meu quarto, diluo-me.

A vida lá fora aos poucos passa, respira.

Afina seus instrumentos o caos.

O ônibus ruge, o vizinho aos  gritos explica, o cão...acho que dorme.

Ouço de mim a respiração e o murmuro do ventilador. Em duo.

E as cigarras hein? Ocas cascas, fantasmas.

Passaram, pararam... não sei dizer.

Em mim permanecem.

Acho que é tínitus ou zumbido o nome.

Não importa.

O caso é que no silêncio do meu quarto,

diluo-me.

Parcialmente, infelizmente.