18/11/2020 às 00:41

Outros 2

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No meio da manhã, mais que nove, a casa está vazia. O vento brinca com a cortina por uma fresta em ondas.

O relógio de parede insiste na cadência com seus ponteiros empoeirados trilhando o painel desbotado.

Na cozinha dois copos sujos de café, pela metade com água que parece chá. A torneira mal fechada não chega a deixar escapar um fio mas sim gotas rápidas que tamborilam no fundo de uma panela virada.

No canto da mesa a chave de carro sem lugar no escapulário. Roupas pelo chão e pelo vão da porta na penumbra o dorso branco se agita.

Serpenteia, marcha e acelera.

A rósea glote suprime o grito, não muito.

Em quatro apoios de pés plantados e mãos nos joelhos dele, ela pila.

Debulha-o em lágrimas de suor

a lhe escorrer pela ignea face.

Ele de fora a contempla, ela o nega a identidade e foca no preenchimento de si que ensopada esgarça.

Vergada com a boca arregalada olhando cegamente o teto ela conclui logo depois dele.

Quem começou ninguém sabe. Se foi o vulcão dele em jorro a lhe queimar e invadir ou ventre dela fremente a lhe apertar.

Recompondo-se são de novo dois. Palavras poucas varrem o ocorrido pra de baixo do tapete. Ela parte, ele lava os copos com esmero, fecha bem a torneira e seca as mãos no pano de prato novo, recém tirado da gaveta.

18 Nov 2020

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