Imagem capa - Segunda, de primeira.  por Fabio Barella

Segunda, de primeira.




Hoje as aves estavam agitadas.
Em grupos ou no mínimo em pares riscavam o céu com uma pressa de sei lá o que.
É claro que nada disso se aplica as pombas, quando digo aves exclua aqui, pelo contexto, as pombas.
Às pombas estão lá na mesma, na sua costumeira lerdeza e desafio.
Tem um grupo que se faz ao lado da venda sob o olhar de um trio de siameses gordos enjaulados.
Quando um lá que elas não conhecem passa elas voam e somem, o grupo todo. Fico pensando pra onde.
Às vezes queria ser o Bresson e achar no fazer das pessoas coisas interessantes de serem vistas. Não sei. Acho que no tempo do Bresson as pessoas faziam mais coisas. Hoje as pessoas parecem que só vem e vão ou esperam de máscara e celular na mão.
Por fim, já voltando com o pão, na pracinha um senhor pastoreia sua cadelinha simpática com roupa de gente. Depois vi que eram duas. A outra parecia uma pecinha de mortadela vestindo uma capa.
A frente um pouco um gato grande preto e branco, tipo frajola que avisto antes dela.
Vi na internet que os cães tem uma visão ruim pra discernir e boa para perseguir.
O gato, duas vezes maior que a pequena mortadelinha, foge um pouquinho por mera formalidade e sobe num galho baixo. A cadelinha o perde de vista. O gato fica olhando há poucos metros todo seguro de si.
O que eu aprendi na internet ontem  o gato a muito já sabia.